top of page

 

Nasci em Lisboa, a 6 de Agosto de 1969. Sou a mais nova de cinco irmãos e cresci em casas grandes, entre a capital e o campo, o ruído de uma casa cheia e a tranquilidade bucólica, em tempo de férias, na companhia de cães e muitos pássaros, guitarradas até às tantas e passeios de barco. Já na infância andava sempre com o nariz metido nos livros. Aos quinze anos tive uma guitarra, com a qual compus as primeiras canções. A música e a escrita sempre andaram comigo, de mãos dadas. 

 

Comecei a escrever ficção em 2002, tinha o meu filho seis anos: na verdade, já improvisava pequenas histórias que ia desenvolvendo à medida que as frases me saíam da boca, para que ele, mais cedo ou mais tarde, acabasse por adormecer. E ao contrário da maioria das crianças, que tem a tendência para pedir, vezes sem conta, as mesmas histórias, o meu filho Hugo pedia-me:

 

- Não, mãe, essa já está inventada. Conta-me outra.

Ou:

- Não, mãe, dos livros não, inventa tu.

 

Os amigos que me eram mais próximos sugeriram que eu as escrevesse. Assim fiz e acabei por descobrir o prazer e o estímulo da escrita ficcional, tanto para crianças, como para adolescentes e adultos.

 

Em 2006 publiquei a novela O Pisa-papéis (DG edições, edição esgotada), com prefácio de Rita Ferro e sob o pseudónimo Vera Vê. Tal como diz a personagem Martín, em O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafón, "Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita umas moedas ou um elogio a troco de uma história". Escrever passa então a ser outra coisa, surge uma esperança, uma fome, agarrada à última frase de cada texto escrito. Desejamos partilhá-lo com os outros, dar-lhe confirmação e paira sobre ele o apelo: "Vejam o que eu sou capaz de fazer, aplaudam-me!", como decerto acontecerá com um pintor, um fotógrafo, um realizador, um coreógrafo, um compositor.   

 

Em 2009, já instalada no campo, criei um blogue com o meu nome: desde logo funcionou como um diário virtual, "obrigando-me" a escrever quase regularmente, a fim de exercitar o músculo da escrita. 

 

Entre 2005 e 2011 fiz, como aluna, cursos breves de Escrita Criativa, Poesia e Literatura Portuguesa, com Rita Ferro e Patrícia Reis, José Fanha e Fernando Pinto do Amaral, respectivamente. 

De uma forma natural, e um pouco em consequência do blogue e de partilhas no facebook, comecei a ser procurada como revisora de texto e a realizar oficinas e cursos de Escrita Criativa, nos concelhos  de Torres Vedras e Mafra, a convite das câmaras municipais. Daí ter concluído que poderia dedicar-me mais a esta área, conciliando-a com a música.

 

Em 2010, a cantora Rita Guerra desafiou-me a compor para o seu álbum Luar (letra e música) e lá fui eu, com grande orgulho, inscrever-me na SPA, Sociedade Portuguesa de Autores.

 

Em 2011 veio o Prémio Revelação APE/Babel, na categoria "Literatura para a Infância e Juventude", com um conjunto de contos intitulado Coisandês - a vida nas coisas

 

Em Dezembro de 2013 foi publicado o primeiro volume da trilogia A Ilha de Melquisedech, com ilustrações de Vanessa Bettencourt. (Chiado Editora), no género "fantasy novel", como é classificado nos países anglófonos. 

 

Em Abril de 2014 saiu (enfim!) o livro Coisandês - a vida nas coisas (Verbo/Babel), com ilustrações a carvão da autoria de Vanessa Bettencourt e, no final do mesmo ano, fiquei feliz por lançar um livro muito íntimo: o meu primeiro de poesia, Fora do Mundo (na Poética Edições, com ilustrações de Vanessa Bettencourt, como já vai sendo tradição).

Decidi então criar uma página oficial no facebook, de carácter generalista, a que dei o nome Ilha de Melquisedech, roubado ao feiticeiro da minha trilogia ainda inacabada. 

Os anos seguintes têm sido dedicados ao trabalho de revisão de texto e revisão literária, restando-me pouco tempo para a ficção, que exige muito do escritor. 

Em Junho de 2017 comecei a trabalhar como copy desk da revista CRISTINA, além de prosseguir com a revisão literária, ambas em regime freelance, no conforto do meu "escritário". Um privilégio, não acham?

ACERCA DE MIM

Primeiro post no blogue, em Março 2009:

"Inauguro estas páginas com um amanhecer que agarrei numa noite de insónia: esta é a visão diária que me dão as janelas da casa onde tenho a sorte de morar. Podia ser pior."

E AINDA...NANÃ SOUSA DIAS

Tenho o privilégio de poder dedicar-me ao que gosto de fazer, ao lado de um homem que muito admiro e que me compreende. As suas fotografias já me inspiraram muitos textos e é também graças a ele que trabalho com excelentes músicos, fazendo o reportório que mais me agrada. 

É o meu fotógrafo preferido e, claro, quase todas as fotografias minhas de promoção, que circulam no mundo virtual, são tiradas pelo Nanã, que tem artes de fotografar bem os rostos mais "infotografáveis".

Para ele vai a minha gratidão.

Eu e o meu filho, na época com seis anos, fotografados por Nanã Sousa Dias. Sem artifícios nem tratamento digital. Sem maquilhagem, cabelo ao natural, o Hugo vestido com uma camisola quase velha, de malha polar. Foi, para mim, uma lição que podemos transportar para a escrita: muitas vezes, o segredo está na simplicidade, no saber retirar o melhor partido de algo, um instante, um sentimento, uma expressão, uma ideia. Tal como uma boa canção - melodia, harmonia e letra - se for realmente boa, basta cantá-la ao piano ou num violão, como um tema de António Carlos Jobim.

bottom of page